Batismo

Os Sacramentos – Batismo

Os Sacramentos

As igrejas que adotam o dogma do Credo Apostólico e principalmente a doutrina reformada ministram os dois sacramentos, sendo eles: o batismo e a santa ceia, ordenados pelo Senhor Jesus.  Os sacramentos são ofícios sagrados que serão realizados até a consumação dos séculos interruptamente, ou seja, até a volta de Cristo.

Ceia do Senhor: E, quando comiam, Jesus tomou o pão, e abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo.

E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lho, dizendo: Bebei dele todos;

Porque isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados.

E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide, até aquele dia em que o beba novo convosco no reino de meu Pai.

(Mateus 26:26-29)

Batismo: Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;

Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.

(Mateus 28:19,20)

Neste breve estudo começaremos pelo batismo.

Existem muitas divergências sobre a forma de celebra o batismo, o que acaba muitas vezes ofuscando o sentido maior deste sacramento.  Seria o batismo correto por imersão, efusão ou aspersão? Qual é o sentido etimológico da palavra Batismo? Proveniente do grego secular gera a tradução para imersão, lembrando que grego atual difere de forma lexical do grego antigo do período bíblico (koinê), assim como se diferem o grego arcaico, ático, helenístico e do medieval e moderno. Em uma busca de uma tradução do grego fiel ao sentido concreto, temporal que foi escrito encontramos as seguintes traduções para batismo: derramar sobre, lavar, limpar, tingir, manchar, etc. Pode expressar imersão parcial, imersão total, absorção ou efusão. Não encontramos um sentido único para a definição de batismo, por isso a necessidade de investigar os fatos históricos encontrados nas sagradas escrituras.

O Batismo é um ato simbólico

No ato batismal se usa o elemento “água” que possui sua simbologia de purificação, derramar do Espírito. No antigo testamento não é apresentado outro simbolismo para água que não seja a purificação. Em Ezequiel 36: 25-26, encontramos um contexto de purificação com água juntamente com uma promessa futura do derramamento do Espírito: “Então aspergirei água fresca e límpida, e ficareis purificados; Eu mesmo vos purificarei de todas as vossas impurezas e de todos os vossos ídolos. E vos darei um novo coração e derramarei um espírito novo dentro de cada um de vós; arrancarei de vós o coração de pedra e vos abençoarei com um coração de carne.…” (Ez 36:25-26)

A prática de purificação simbólica com água precede a manifestação de João Batista e de nosso Senhor Jesus, era um cerimonial religioso dos costumes ou tradição dos anciãos com alguns relapsos encontrados nas escrituras, vale lembrar que este cerimonial era apenas de purificação religiosa e não para remissão de pecados realizados em nome da Trindade Santíssima. 

Veja o texto em Marcos 7:4 em português:

“E, quando voltam do mercado, se não se lavarem, não comem. E muitas outras coisas há que receberam para observar, como lavar os copos, e os jarros, e os vasos de metal e as camas”. (Marcos 7:4)

Veja o texto em Marcos 7:4 em grego – Greek NT: Westcott/Hort

(grego)

“καὶ ἀπ’ ἀγορᾶς ἐὰν μὴ βαπτίσωνται* οὐκ ἐσθίουσιν καὶ ἄλλα πολλά ἐστιν ἃ παρέλαβον κρατεῖν βαπτισμοὺς ποτηρίων καὶ ξεστῶν καὶ χαλκίων ‹καὶ κλινῶν›”

(transliteração)

“kai ap agoras ean mē rantisōntai ouk esthiousin kai alla polla estin a parelabon kratein baptismous potēriōn kai xestōn kai chalkiōn”.

Veja que a tradução de João Ferreira de Almeida optou traduzir por “lavar” para que o público geral entendesse o objetivo daquele rito, porém no grego encontramos o verbo “baptismous” que seria “batizar” ou “batizarem”.  Vamos analisar melhor o contexto: “E, quando voltam do mercado, se não se lavarem, não comem. E muitas outras coisas há que receberam para observar, como lavar os copos, e os jarros, e os vasos de metal e as camas”. (Marcos 7:5). Os judeus receberam esta tradição dos anciãos de purificação espiritual de aspergir agua em todos os utensílios usados por outrem. A tradição indicava que, não havendo a purificação das mãos antes de comer, dos copos, jarros e vasos antes de beber e as camas antes de se deitarem, eles poderiam se contaminar caso algo impuro tivesse tocado esses objetos, ou se suas próprias mãos tocassem em algo impuro. O Senhor Jesus rebate essa doutrina: “Em vão, porém, me honram, Ensinando doutrinas que são mandamentos de homens. Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens; como o lavar dos jarros e dos copos; e fazeis muitas outras coisas semelhantes a estas. E dizia-lhes: Bem invalidais o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradição”. (Marcos 7:7-9). O Senhor Jesus categoricamente reprova essa pratica religiosa que invalidava o mandamento de Deus. Seguindo a pratica dessa tradição, o homem jamais precisaria se conscientizar da necessidade do arrependimento, por isso surge João Batista instruindo o batismo de arrependimento de acordo com o que recebeu do Senhor: “… veio no deserto a palavra de Deus a João, filho de Zacarias. E percorreu toda a terra ao redor do Jordão, pregando o batismo de arrependimento, para o perdão dos pecados;” (Lucas 3:2,3)

O batismo de arrependimento foi à forma de conscientizar o público judeu que eles não estavam livres do pecado por apenas praticarem várias vezes ao dia o rito do batismo de objetos, das mãos e das demais coisas. O batismo de arrependimento é a conscientização do pecador, por isso João Batista exclamava: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus”. (Mateus 3:2).

Nossa primeira lição descoberta neste estudo é: O BATISMO É A CONSCIENTIZAÇÃO DA NECESSIDADE DO PERDÃO.

Vamos concluir a prática religiosa do batismo dos judeus analisando mais um episódio em que o Senhor Jesus reprova esse rito. Vejamos: E, estando ele ainda falando, rogou-lhe um fariseu que fosse jantar com ele; e, entrando, assentou-se à mesa. Mas o fariseu admirou-se, vendo que não se lavara antes de jantar. E o Senhor lhe disse: Agora vós, os fariseus, limpais o exterior do copo e do prato; mas o vosso interior está cheio de rapina e maldade. (Lucas 11:37-39). Fica claro que a prática de lavar as mãos e os utensilio para se alimentar, ou aspergir agua sobre a cabeça não tem haver com o ato de higienização, mas de ritual religioso. Mais uma vez o Senhor repreende os fariseus sobre a necessidade de se conscientizarem sobre a necessidade do arrependimento que se inicia interiormente. Podemos comprovar isto com as palavras do Senhor Jesus para a mulher samaritana: Quem beber desta água terá sede outra vez, mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Pelo contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna”. (João 4:13,14), e seu discurso no templo: “No último e mais importante dia da festa, Jesus levantou-se e disse em alta voz: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva“. (João 7:37,38).

Vamos agora identificar biblicamente as três formas de batismo por: aspersãoefusão e imersão.

ASPERSÃO: “Então aspergirei água fresca e límpida, e ficareis purificados; Eu mesmo vos purificarei de todas as vossas impurezas e de todos os vossos ídolos. E vos darei um novo coração e derramarei um espírito novo dentro de cada um de vós; arrancarei de vós o coração de pedra e vos abençoarei com um coração de carne.…” (Ez 36:25-26).

Aspergir: transitivo direto e pronominal molhar(-se) com pequenas gotas de qualquer líquido; borrifar(-se), orvalhar(-se), respingar(-se).

EFUSÃO: “Nos últimos dias, diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos” Atos 2:17 a

“Pois João batizou com água, mas dentro de poucos dias vocês serão batizados com o Espírito Santo”. (Atos 1:5)

“Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra”. (Atos 1:8)

“Pode alguém negar a água, impedindo que estes sejam batizados? Eles receberam o Espírito Santo como nós! ” (Atos 10:47)

Efusão: (latim effusio, -onis, derramamento, prodigalidade, largueza)
substantivo feminino

1. Derramamento.

Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

IMERSÃO: Não existe algum versículo bíblico que aponte o batismo por imersão, isto, porém não o invalida como batismo. Alguns interpretem João 3:23 como base para o batismo por imersão: “João também estava batizando em Enom, perto de Salim, porque havia ali muitas águas, e o povo vinha para ser batizado”.

(João 3:23)

Significado de Imersão: substantivo feminino

Ação ou efeito de imergir(-se); ato ou resultado do processo de mergulhar (alguma coisa) em um líquido; submersão.

A prática do batismo da Igreja primitiva era “in situ”.

A Igreja primitiva batizava os novos conversos “in situ”, ou seja, no local da conversão. O rio Jordão deixa de ser referencia para o batismo, pois a ordem é: E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.

Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. (Marcos 16:15,16), isto inclui até os lugares mais desertos da terra, onde não existem rios.

Referencias de batismos in locu: (Atos 9,1-19) Batismo do apóstolo Paulo na casa de Judas de Damasco na rua direita. E logo lhe caíram dos olhos como que umas escamas, e recuperou a vista; e, levantando-se, foi batizado. (Atos 9:18). Clara evidencia de batismo por efusão.

O Batismo do carcereiro e de toda a sua família em sua própria casa: “E, tirando-os para fora, disse: Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar? E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa. E lhe pregavam a palavra do Senhor, e a todos os que estavam em sua casa. E, tomando-os ele consigo naquela mesma hora da noite, lavou-lhes os vergões; e logo foi batizado, ele e todos os seus”. (Atos 16:30-33)

Lavou – lhes os vergões, ou seja, a marca das chibatadas que eles haviam recebido, logo após, Paulo batiza o carcereiro e toda a sua família. Clara evidência de batismo por efusão.

O batismo do centurião Cornélio e os que estavam em sua casa:

E no dia imediato chegaram a Cesaréia. E Cornélio os estava esperando, tendo já convidado os seus parentes e amigos mais íntimos. (Atos 10:24)

E, falando com ele, entrou, e achou muitos que ali se haviam ajuntado. (Atos 10:27)

E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. (Atos 10:44)

Respondeu, então, Pedro: Pode alguém porventura recusar a água, para que não sejam batizados estes, que também receberam como nós o Espírito Santo?  (Atos 10:47)

O batismo do Eunuco: (Atos 8:26) “E o anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Levanta-te, e vai para o lado do sul, ao caminho que desce de Jerusalém para Gaza, que está deserta”. Atos 8:26

“E levantou-se, e foi; e eis que um homem etíope, eunuco, mordomo-mor de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todos os seus tesouros, e tinha ido a Jerusalém para adoração” (Atos 8:27)

“Regressava e, assentado no seu carro, lia o profeta Isaías”. Atos 8:28

“E disse o Espírito a Filipe: Chega-te, e ajunta-te a esse carro. E, correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e disse: Entendes tu o que lês?” (Atos 8:29,30)

“E ele disse: Como poderei entender, se alguém não me ensinar? E rogou a Filipe que subisse e com ele se assentasse. E o lugar da Escritura que lia era este: Foi levado como a ovelha para o matadouro; e, como está mudo o cordeiro diante do que o tosquia, Assim não abriu a sua boca. Na sua humilhação foi tirado o seu julgamento; E quem contará a sua geração? Porque a sua vida é tirada da terra”.  (Atos 8:31-33)

Note que o texto que o eunuco estava lendo se encontra em Isaías 53:7.

“E, respondendo o eunuco a Filipe, disse: Rogo-te, de quem diz isto o profeta? De si mesmo, ou de algum outro? Então Filipe, abrindo a sua boca, e começando nesta Escritura, lhe anunciou a Jesus”. (Atos 8:34,35)

É de se notar que o eunuco estava em uma leitura que não poderia ter ficado de fora todo o contexto que inclui Isaías 52:13-15 que fala sobre o sofrimento vicário do Messias: “Vejam, o meu servo agirá com sabedoria; será levantado e erguido e muitíssimo exaltado. Assim como houve muitos que ficaram pasmados diante dele; sua aparência estava tão desfigurada, que ele se tornou irreconhecível como homem; não parecia um ser humano; de igual modo ele aspergirá muitas nações, e reis calarão a boca por causa dele. Pois aquilo que não lhes foi dito verão, e o que não ouviram compreenderão”.  (Isaías 52:13-15)

“E, indo eles caminhando, chegaram ao pé de alguma água, e disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado?

E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. E mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou. (Atos 8:36-38)

   Figura 1 Ilustração de batismo por efusão em rio.

Conclusão

Concluo que tanto o batismo por aspersão efusão e imersão é batismo válido para a iniciação dos novos conversos no seio da igreja. Sendo de praxe a utilização do batismo por aspersão e efusão nas igrejas reformadas e o do batismo por imersão por imersão das demais correntes de outras denominações.

Precauções a serem tomadas: O batismo com água não precede a graça salvadora de Jesus Cristo. O batismo é um sinal da graça manifestada na vida do pecador. A água é um elemento simbólico, de maneira nenhuma possui poderes sobrenaturais para lavar os pecados do homem, o pecado não escorre através do batismo por efusão, tampouco as águas do rio o levarão para longe no batismo por imersão, é o sangue de Jesus Cristo que nos limpa e purifica  de todo pecado.

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